O que caracteriza a união estável segundo a lei
A união estável está regulamentada pelo artigo 1.723 do Código Civil, que a define como a convivência pública, contínua e duradoura entre duas pessoas, com o objetivo de constituir família. Diferentemente do casamento, não exige formalização em cartório, mas produz os mesmos efeitos jurídicos em relação aos direitos previdenciários.
Para configurar a união estável, é necessário demonstrar três elementos essenciais:
- Convivência pública: o relacionamento deve ser conhecido por familiares, amigos e vizinhos
- Continuidade temporal: a relação deve perdurar por período razoável, sem interrupções significativas
- Objetivo familiar: o casal deve ter intenção de constituir família, com projeto de vida em comum
A Lei nº 8.213/1991 reconhece o companheiro como dependente preferencial para fins previdenciários, equiparando-o ao cônjuge. Isso significa direito à pensão por morte, auxílio-reclusão e outros benefícios, independentemente do sexo dos companheiros, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI 4.277.
Reconhecimento legal
Direitos previdenciários
Formalização obrigatória
Proteção jurídica
Documentos aceitos pelo INSS para comprovar união estável
O INSS aceita diversos tipos de documentos para comprovar a união estável, sem estabelecer lista taxativa ou número mínimo obrigatório. A Instrução Normativa INSS/PRES nº 77/2015 prevê análise do conjunto probatório apresentado.
Documentos principais aceitos pelo INSS:
- Certidão de nascimento de filhos em comum
- Declaração de Imposto de Renda onde conste como dependente
- Certidão de casamento religioso
- Comprovantes de conta bancária conjunta
- Contrato de união estável registrado em cartório
- Apólice de seguro onde figure como beneficiário
- Ficha de cadastro em plano de saúde
- Contrato de financiamento imobiliário conjunto
Documentos complementares:
- Comprovantes de residência no mesmo endereço
- Declaração de testemunhas
- Fotografias do casal em eventos familiares
- Correspondências dirigidas ao casal
- Escritura de imóvel em nome de ambos
O artigo 22 da Lei nº 8.213/1991 estabelece que a dependência econômica dos companheiros é presumida, não exigindo comprovação adicional. Basta demonstrar a existência da união estável para garantir o direito aos benefícios previdenciários.
Por que a exigência de três provas é considerada ilegal
A prática do INSS de exigir exatamente três provas para reconhecer a união estável não possui amparo legal. O Código Civil e a legislação previdenciária não estabelecem número específico de documentos, determinando apenas que seja comprovada a convivência nos moldes familiares.
Fundamentos da ilegalidade:
A exigência de três provas específicas viola o princípio da razoabilidade e cria obstáculo desproporcional ao exercício do direito previdenciário. Muitos casais, especialmente de classe social mais humilde, não possuem documentação abundante de sua vida em comum.
O Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência consolidada de que "a comprovação da união estável não se submete a formalidades rígidas, devendo ser analisada segundo as circunstâncias de cada caso". A Súmula 382 do STJ estabelece que a vida em comum notória e duradoura é suficiente para caracterizar a união estável.
Problemas práticos da exigência:
- Famílias de baixa renda frequentemente não possuem contas bancárias conjuntas
- Nem todos os casais fazem declaração de Imposto de Renda em conjunto
- Documentos antigos podem ter sido perdidos ao longo dos anos
- A rigidez impede análise da realidade específica de cada relacionamento
Número de provas
Análise do caso
Base legal
Como garantir o reconhecimento da união estável pelo INSS
Quando o INSS negar o benefício por insuficiência de provas, mesmo havendo união estável comprovada, é fundamental buscar a via administrativa e, se necessário, judicial para garantir o direito.
Estratégias para fortalecer o pedido:
Organize o maior número possível de documentos que demonstrem a vida em comum, mesmo que não sejam os "três tradicionais" exigidos pelo INSS. Declare testemunhas que possam confirmar a convivência pública e duradoura do casal.
Protocole recurso administrativo fundamentando na jurisprudência do STJ e do STF que reconhece a ilegalidade da exigência de número específico de provas. Cite expressamente que a análise deve ser caso a caso, conforme o conjunto probatório apresentado.
Na esfera judicial:
O Poder Judiciário tem sistematicamente reconhecido a union estável com base em provas menos rígidas que as exigidas pelo INSS. Ações judiciais frequentemente são exitosas quando há conjunto probatório que demonstre a convivência familiar, mesmo sem os três documentos específicos.
Direitos que podem ser pleiteados:
- Pensão por morte a partir do óbito do companheiro
- Auxílio-reclusão durante o período de prisão
- Pensão por morte acidentária quando aplicável
- Retroativo desde a data do requerimento administrativo
Para casos envolvendo morte por acidente de trabalho ou doença ocupacional, os dependentes podem somar à pensão previdenciária os direitos trabalhistas decorrentes, como indenização por danos morais e materiais contra o empregador responsável.
Reunir toda a documentação disponível e buscar orientação especializada em direito previdenciário é fundamental. A jurisprudência é amplamente favorável ao reconhecimento da união estável com base em análise flexível e contextual, superando as exigências rígidas e ilegais impostas pelo INSS na via administrativa.